Data Centers
AFGM no DCD Southern Europe: experiência brasileira em debate
Em Madri, a AFGM compartilhou sua experiência na adaptação de projetos internacionais de data centers ao contexto brasileiro.

Participar dos principais fóruns de data centers é uma forma direta de acompanhar como o setor está evoluindo e, ao mesmo tempo, contribuir para esse debate. No DCD Connect Southern Europe 2026, realizado em Madri, a AFGM levou ao encontro uma experiência construída no desenvolvimento de projetos para o mercado brasileiro.
Durante o evento, o arquiteto Gustavo Gasparoto conversou com Ana Paula Ribeiro, Content Manager da DCD Madrid. O tema central foi a adaptação de projetos internacionais de arquitetura para as condições do Brasil — processo que o setor frequentemente chama de tropicalização — e o impacto da inteligência artificial sobre a expansão da infraestrutura digital.
Adaptar é compreender o contexto
Um projeto concebido em outro país reúne referências técnicas, operacionais e regulatórias próprias daquele mercado. Quando ele chega ao Brasil, não basta traduzir documentos ou substituir especificações. É necessário compreender a lógica original e reavaliar cada decisão diante das condições locais.
Clima, disponibilidade de materiais, cadeia de fornecedores, processos de aprovação e práticas construtivas interferem no resultado. A organização dos espaços técnicos também precisa responder às equipes que irão construir, operar e manter o empreendimento. A adaptação consistente preserva os objetivos de desempenho sem tratar o contexto brasileiro como uma etapa secundária.
É nesse ponto que a arquitetura assume um papel de coordenação. Ela conecta as diretrizes globais do cliente às disciplinas locais, organiza interfaces e ajuda a transformar requisitos complexos em um edifício executável. Quanto antes essa leitura é incorporada, mais claras ficam as decisões para os demais projetistas, fornecedores e responsáveis pela obra.
Experiência brasileira em uma conversa internacional
O DCD Connect Southern Europe reuniu operadores, usuários, projetistas, engenheiros e especialistas ligados à infraestrutura digital. A presença da AFGM nesse ambiente amplia o intercâmbio entre mercados que enfrentam desafios semelhantes, ainda que em escalas e condições distintas.
Compartilhar casos brasileiros não significa apresentar uma fórmula única. O valor está em expor o método: estudar requisitos, reconhecer diferenças, coordenar as partes envolvidas e registrar decisões para que o projeto mantenha coerência ao avançar. Essa experiência também permite comparar soluções, identificar tendências e avaliar com critério o que pode ser incorporado aos próximos trabalhos.
Infraestrutura preparada para uma demanda em transformação
A inteligência artificial amplia a discussão sobre capacidade, energia, resfriamento e velocidade de implantação. Para a arquitetura, o desafio é acompanhar essa transformação sem perder de vista segurança, operação, manutenção e possibilidade de expansão.
Eventos setoriais ajudam a antecipar questões que em breve estarão presentes nos programas e nas decisões de projeto. Mais do que observar novidades, a AFGM usa esses encontros para confrontar tendências com a realidade de quem projeta no Brasil.
Esse contato também melhora a qualidade das conversas com clientes que atuam em mais de um país. Ao conhecer as prioridades discutidas por operadores europeus, a equipe consegue distinguir tendências globais de respostas específicas de cada região. O repertório internacional passa a apoiar decisões, sem substituir o diagnóstico técnico feito para cada terreno, programa e fase de implantação.
Estar no DCD Southern Europe reforça uma atuação que combina presença no mercado, troca internacional e conhecimento local. É dessa combinação que surgem projetos capazes de atender referências globais e, ao mesmo tempo, funcionar de forma consistente nas condições brasileiras.