Retrofit do Edise: a AFGM no projeto executivo da sede da Petrobras
No retrofit do Edise, sede da Petrobras no Centro do Rio, a AFGM desenvolveu o projeto arquitetônico executivo em parceria com a Engemon e a LZA.

A equipe da AFGM esteve no Rio de Janeiro para uma visita técnica ao retrofit do Edise, o edifício-sede da Petrobras, no Centro da cidade. São 184 mil metros quadrados inaugurados em 1974, submetidos à primeira grande reforma desde então. A AFGM atuou como parceira da Engemon e da LZA no desenvolvimento do projeto arquitetônico executivo de retrofit.
O trabalho coloca o escritório diante de um desafio característico da transformação de grandes edificações: projetar a partir de uma estrutura existente, com condicionantes que só podem ser compreendidas por completo no local. Em um retrofit, a visita não é uma etapa protocolar. Ela aproxima desenhos, levantamentos e modelos do estado real do edifício, e permite que as equipes reconheçam interferências, acessos, sequências construtivas e elementos que exigem confirmação antes de uma decisão definitiva.
O existente participa do projeto
Diferentemente de uma implantação nova, o retrofit começa com um conjunto de decisões já materializadas. Estrutura, fachadas, instalações e circulações possuem limites e oportunidades próprios. Parte do trabalho está em identificar o que pode ser preservado, o que precisa ser adaptado e como integrar novos sistemas sem perder a coerência do conjunto.
No Edise, esse inventário atravessou fachadas, sistemas hidráulicos, elétricos, de refrigeração e de comunicação, além de reforços estruturais pontuais, tratamento de patologias, detecção e alarme de incêndio e a substituição dos vidros. Elementos de identidade do edifício foram mantidos: os brise-soleils originais voltaram à fachada e os jardins de Roberto Burle Marx foram revitalizados.
Quanto maior a edificação, maior a necessidade de organizar esse diagnóstico. Registros de campo devem ser associados a ambientes, níveis e temas claros para que uma observação possa chegar à equipe responsável e retornar ao projeto como uma decisão verificável. Essa leitura também ajuda a separar uma ocorrência localizada de uma condição repetida: uma interferência encontrada em um pavimento pode indicar a necessidade de revisar uma solução em série.
Coordenação entre projeto e execução
A parceria com a Engemon e a LZA reforça o caráter integrado da atividade. Retrofits exigem diálogo contínuo entre projeto, engenharia, construção e operação, porque novas descobertas podem alterar premissas já documentadas.
Para que a resposta seja ágil, cada ajuste precisa ter contexto: origem da informação, impacto, responsáveis e documentos afetados. A visita técnica fornece evidência para esse processo e evita que decisões sejam tomadas apenas com base em hipóteses.
A arquitetura contribui ao relacionar as diferentes escalas do problema. Uma adequação técnica pode afetar circulação, áreas úteis, acessibilidade, fachada ou experiência do usuário. Manter essas relações visíveis é essencial para que a atualização de um sistema não crie um problema em outro.
Presença em campo como ferramenta de qualidade
O acompanhamento no local permite validar o que foi projetado, esclarecer dúvidas com os parceiros e registrar condições que orientarão o desenvolvimento seguinte. Não substitui levantamentos especializados nem inspeções técnicas, mas qualifica a coordenação ao colocar as equipes diante da mesma realidade. Em mais de 180 mil metros quadrados, pequenas inconsistências podem se multiplicar se não forem identificadas e tratadas com método.
Em 12 de junho de 2026, a Petrobras iniciou a reocupação do edifício. A conclusão total está prevista para o início de 2028, quando o Edise deve reunir 6 mil estações de trabalho. Em um retrofit dessa escala, a proximidade com a obra é parte da arquitetura: observar, confirmar, coordenar e transformar as condições existentes em uma nova etapa de uso para o edifício.